O que aconteceu, quem está por trás do fato,quando ocorreu, onde, como e por quê. A resposta para cada uma dessas perguntas está estampa danos jornais, revistas, sites e até mesmo nas matérias que aparecem na televisão e no rádio. Desvendar fatos é o trabalho do jornalista, que sai às ruas diariamente atrás de histórias que são do interesse da sociedade. "O jornalista é o profissional que tem acesso a fontes de informação e as repassa a seus leitores, ouvintes e telespectadores", define Mauro Tagliaferri, correspondente da Record em Lisboa, Portugal. O jornalista é o profissional da notícia: ele descobre o fato, checa sua veracidade, escreve e edita reportagens e entrevistas, adaptando o tamanho, a abordagem e a linguagem dos textos ao veículo e ao público a que se destinam. Senso crítico, curiosidade e criatividade são essenciais na profissão. Um exemplo de sucesso resultante da conjugação dessas três características é o trabalho da jornalista Lina Cavalcante, que viu seu blog ser transformado em um quadro para um programa de televisão. "Quando mudei para Fortaleza, trabalhava a uns cinco quarteirões de casa e passava por um importante centro comercial. Como sempre gostei de moda, resolvi montar um blog com as peças que descobria nesse caminho. O que era uma coisa pequena se transformou em um projeto que deu certo." Assim como Lina, todo jornalista precisa desenvolver o faro para identificar o que é notícia e ter iniciativa para cavar o seu lugar no mercado. Mauro Tagliaferri deixa a dica: "Além de jornais, revistas e assessorias de imprensa, eu apostaria nas novas tecnologias, como a TV e o rádio digitais e a produção de conteúdo para internet e celular."
O mercado de trabalho
A comunicação corporativa ou empresarial é uma área promissora para os recém-formados, pois ela oferece mais oportunidades de trabalho do que as redações de revistas, jornais e agências de notícias. Uma pesquisa com mil grandes empresas nacionais e estrangeiras, encomendada pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje), em 2008, revelou que cerca de 65% das companhais entrevistadas pretendem aumentar os investimentos em comunicação nos próximos anos, o que deve ampliar a procura por profissionais formados em Jornalismo.Segundo Ângela Schaun, coordenadora de Extensão do Centro de Comunicação e Letras da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, as mídias digitais são outra área relevante para o graduado em Jornalismo. "Esse mercado está em expansão, já que proliferam a versão on-line das revistas segmentadas, as páginas das empresas na internet, os sites independentes e os blogs", diz ela. O profissional que optar por uma área específica do Jornalismo, como moda, ciência, saúde, meio ambiente e tecnologia, por exemplo, encontra espaço para atuar como redator setorizado, seja em mídia digital, seja na impressa. Os maiores empregadores continuam em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília, mas cresce o número de oportunidades em cidades do interior, sobretudo da Região Sudeste.
Qual a formação necessária para ser um jornalista?
Para se exercer a profissão de jornalista não é preciso ter diploma de curso superior, embora existam cursos de comunicação social com ênfase em jornalismo, que ensinam técnicas e métodos de trabalho interessantes. O curso tem duração de quatro anos, com estágio nem sempre obrigatório. Para o sucesso na carreira é necessário um alto interesse por temas atuais e uma cultura geral ampla. Conhecimentos específicos de outras áreas como economia, esportes e história enriquecem muito o currículo. O domínio absoluto da língua portuguesa é imprescindível para garantir um bom futuro na carreira. O mercado vem exigindo cada vez mais capacitação profissional, como o domínio de pelo menos uma língua estrangeira. A preferência tem sido dada a quem investe em cursos de reciclagem ou pós-graduação.
O curso
As disciplinas básicas são língua portuguesa, economia, teoria da comunicação, filosofia, história da arte e sociologia. Matérias específicas também compõem o currículo, como jornalismo interpretativo e informativo, técnicas de redação e edição de texto, novas tecnologias de comunicação e design gráfico. Há aulas práticas de fotojornalismo, jornalismo impresso e on-line, rádio e TV. Em algumas escolas, o curso é oferecido como habilitação do curso de Comunicação Social. Os alunos precisam apresentar um trabalho de conclusão de curso para receber o diploma. Já o estágio, embora não seja obrigatório, é recomendável, pois pode abrir portas no mercado de trabalho.
Principais atividades de um jornalista
As atividades dos jornalistas incluem:
•pauteiro: organizar a lista de eventos a serem cobertos e que constituem a pauta do dia;
•repórter: entrevistar personalidades públicas ou cidadãos envolvidos em fatos de interesse coletivo; checar informações recebidas de suas fontes, de cidadãos ou de autoridades; investigar denúncias, com ajuda de suas fontes; examinar documentos; escrever, no caso de jornais, ou gravar, no caso de rádio e televisão, reportagens, artigos, colunas e editoriais, com base nas informações a que teve acesso;
•chefe de reportagem: chefiar as equipes de reportagem, orientando-as sobre a abordagem que cada assunto deve ter e sobre a forma de obter as informações desejadas;
•editores: avaliar reportagens, artigos e colunas que serão divulgados ao público, para verificar a qualidade dos textos, das imagens e a veracidade das informações; dar às reportagens de jornais, revistas, telejornais e programas de rádio o formato ideal para a perfeita compreensão do público;
•redator e revisor: revisar textos jornalísticos, eliminando erros de linguagem ou de informação; dar títulos às reportagens, artigos e colunas; fazer legendas para fotos ou ilustrações;
•assessor de imprensa: providenciar contatos com meios de comunicação para divulgar atividades de clientes, orientá-los sobre como proceder nas entrevistas e atender jornalistas para responder questões sobre eles.
•divulgador: promover seus clientes, geralmente artistas, junto aos jornalistas, produzindo textos informativos sobre suas atividades.
Áreas de atuação e especialidades
•Assessoria de imprensa: promove o contato entre imprensa e empresas, clientes, entidades.
•Consultoria: Presta serviços de comunicação. Auxilia entidades e empresários na busca de informações de mercado ou mídia.
•Reportagem: procura todas as informações sobre um determinado assunto, divulgando para todos os meios de comunicação.
•Edição: decide a abordagem de determinada matéria e quais reportagens serão veiculadas
•Pauta: orienta na escolha de assuntos que o veículo vai cobrir e designa os repórteres que para a cobertura.
Curiosidades
A invenção da imprensa, por Johannes Genfleisch Gutenberg, em 1442 na Alemanha, possibilitou a impressão de livros e jornais.O primeiro livro imprimido em prensa foi uma edição da Bíblia, em 1455. Com a evolução das técnicas foi possível a inserção de figuras e ilustrações. Em 1486, os franceses começaram a produzir almanaques e revistas, em 1529 foi lançado o que seria o precursor do jornal: folhas soltas, que continham informações e notícias.
Em 1597, ao adotar periodicidade na produção dos exemplares, os suíços introduziram essa característica ao "folhetim". Ao somar as duas especificidades (notícias e periodicidade), em 1605, na Bélgica, foi lançado o primeiro jornal, que se espalhou pela Europa.
No Brasil, em 1747 a imprensa foi proibida pelos portugueses, apenas um ano após ter sido inaugurada no Rio de Janeiro. Com a vinda da família real portuguesa para o Brasil, em 1808 criou-se aqui, a Imprensa Régia, órgão exclusivo do governo. Diante dessa forma de repressão o primeiro jornal brasileiro foi produzido em Londres.
Em 1808 Hipólito da Costa inaugurou o Correio Braziliense, periódico que criticava o governo português, que impossibilitado de proibir sua impressão, aplicava penas a quem o lesse, e determinou a criação da Gazeta do Rio de Janeiro, que divulgava notícias favoráveis ao Reino Português.
Em 1822, com a conquista da independência o Correio Brasiliense foi fechado, 175 edições depois, pelo seu fundador que é considerado o patrono da imprensa no Brasil.
Em 1934 foi fundado o primeiro sindicato dos jornalistas, em Juiz de fora (MG), porém a regulamentação da profissão veio apenas em 1938 e a exigência de diploma de curso superior foi determinada em 1969.
Fontes: Guia do Estudante, Brasil Profissões e Folha Online
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